A Ilusão do Império em decadência e o sentimento do ódio à esquerda e progressistas:
A admiração intensa que grupos políticos latino-americanos, como os apoiadores de Jair Bolsonaro no Brasil e de Javier Milei na Argentina, demonstram por Donald Trump e pelos Estados Unidos é um fenômeno político complexo. Na ciência política e na sociologia, esse alinhamento não é visto apenas como uma submissão a um "império", mas como uma identificação estratégica, ideológica e cultural com um movimento global.
Podemos entender essa conexão através de alguns pilares principais:
1. O Inimigo Comum: O Anti-Esquerdismo
Tanto o bolsonarismo quanto o movimento de Milei cresceram como respostas diretas a governos de esquerda de longa duração em seus países (o Partido dos Trabalhadores no Brasil e o Kirchnerismo na Argentina). Trump é visto por esses grupos como o líder global definitivo na luta contra o socialismo, o globalismo e as pautas progressistas. A aproximação com os EUA sob a ótica trumpista representa uma aliança contra o que eles percebem como uma ameaça hegemônica da esquerda na América Latina (frequentemente associada ao Foro de São Paulo ou à influência da China). Esse sentimento contra os esquerdistas e progressistas é incentivado pelo discurso de ódio como fez Hitler aos judeus e outras minorias na Alemanha nazista. Isse é um perigo à Democracia em todo o mundo hoje.
2. A "Guerra Cultural" e Valores Conservadores
Esses movimentos compartilham uma frente comum na chamada guerra cultural. Eles se opõem fortemente ao que chamam de "politicamente correto", às pautas identitárias e às políticas ambientais restritivas. Trump foi o primeiro líder ocidental de grande peso a adotar essa postura como política de Estado, tornando-se um símbolo de resistência para cristãos conservadores (muito fortes na base de Bolsonaro) e para os defensores da liberdade de expressão irrestrita (uma pauta central para Milei e seus seguidores). Liberdade de expressão só para eles e não para os outros que pensam diferente. As leis só valem para os que pensam diferente ou os diferentes, eles (os da extrema direita) podem errar sem serem alcançados por tais leis.
3. O Símbolo do Capitalismo e do Sucesso
Especialmente para o movimento libertário e anarcocapitalista de Javier Milei, os Estados Unidos representam o ideal histórico de livre mercado, propriedade privada e liberdade individual, em contraste com o "estatismo" sul-americano. Embora Trump tenha políticas econômicas frequentemente protecionistas, sua imagem de bilionário bem-sucedido e sua retórica pró-negócios e anti-impostos ressoam profundamente com a promessa de prosperidade econômica que esses líderes fazem aos seus eleitores. Mas, mais adiante vamos ver o que está acontecendo com o povão norte-americano que não são empresários, mas trabalhadores, ou desempregados, desamparados, morando nas ruas...
4. Estilo de Liderança "Outsider" e Populista
Trump revolucionou a comunicação política moderna ao contornar a mídia tradicional e falar diretamente com sua base através das redes sociais, muitas vezes utilizando um tom agressivo, informal e anti-sistema. Bolsonaro e Milei adotaram estratégias de comunicação quase idênticas. Ao exaltarem Trump, eles também validam seus próprios estilos de liderança. A ideia do outsider que chega para "limpar o sistema" (ou "drenar o pântano", como dizia Trump, adaptado para "acabar com a casta" por Milei) é o motor eleitoral de todos eles. Usam de mentiras para enganar os incautos e imprudentes, que se deixam levar por fake news.
5. O Movimento da "Nova Direita" Global
Essas lideranças não operam isoladamente; elas fazem parte de uma rede internacional coordenada. Eventos como a CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), originária dos EUA, agora têm edições frequentes no Brasil e na Argentina. Nesse ecossistema, Trump não é visto apenas como um presidente americano, mas como o patriarca ou o pioneiro de uma "Nova Direita" global, o que justifica a reverência que recebe de seus aliados internacionais.
Em resumo, a idolatria a Trump na América Latina reflete a busca por uma âncora internacional forte que valide suas próprias lutas domésticas contra a esquerda, a mídia tradicional e o establishment político, muito mais do que uma simples reverência ao país em si. Uma idolatria aos mitos da mentira e do golpe contra a Democracia, tanto aqui, quanto lá entre os ianques.
Entre a Retórica Hegemônica, as Fraturas do "Sonho Americano" e a Ascensão da Multipolaridade
A história das grandes civilizações ensina que nenhum império é eterno. Quando uma superpotência passa a depender excessivamente da intervenção militar externa para sustentar seu poderio, enquanto suas estruturas sociais internas se deterioram, revela-se o sinal clássico de uma transição de era. O cenário geopolítico e socioeconômico contemporâneo reflete essa dinâmica: a busca por hegemonia energética e geopolítica no Oriente Médio contrasta drasticamente com o empobrecimento visível de parcelas significativas da população norte-americana, sinalizando a emergência de uma nova ordem global geopolítica e econômica.
1. Geopolítica e Interesses de Domínio: O Irã e a Sede Energética
A postura beligerante da diplomacia e das forças armadas dos Estados Unidos em relação ao Irã e ao Oriente Médio frequentemente vem disfarçada sob narrativas de "defesa da democracia" ou "combate ao terrorismo". No entanto, uma análise crítica da geopolítica do petróleo revela motivações mais pragmáticas:
Controle de Recursos e Rotas Estratégicas: O Irã detém uma das maiores reservas provadas de petróleo e gás natural do planeta, além de controlar a margem norte do Estreito de Ormuz — chokepoint estratégico por onde transita cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo.
Preservação do Petrodólar: Garantir o domínio sobre a cadeia de suprimentos energéticos é crucial para manter a sustentação do dólar como moeda global de reserva e troca.
Contenção do Oriente: Pressionar o Irã também serve como estratégia geopolítica para barrar o avanço de alianças e parcerias energéticas da República Islâmica com potências como a China e a Rússia no continente eurasiano.
2. O Rosto Oculto dos EUA: A Crise Social e o Mito do "Sonho Americano"
Longe dos holofotes Hollywoodianos e dos discursos triunfalistas, a vida diária de milhões de trabalhadores, aposentados e vulneráveis nos Estados Unidos desafia a ideia de que viver no país é simples ou próspero para todos.
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| REALIDADE SOCIAL INTERNA |
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| Desigualdade Estrutural | Aumento do custo de moradia, saúde e alimentação |
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| População em Situação de Rua | Milhares de sem-teto em grandes centros urbanos |
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| Fragilidade da Proteção Social | Ausência de sistema público de saúde universal |
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A Ilusão da Facilidade: Nos últimos anos, sob políticas econômicas desregulamentadas e o avanço do discurso populista de extrema-direita — personificado na figura de Donald Trump —, a concentração de renda aumentou. A promessa de prosperidade para a classe trabalhadora esbarrou na estagnação salarial, na precarização do trabalho e na elevação dos custos de vida básicos.
A Crise da Moradia e do Trabalho: Cidades de grande porte enfrentam epidemias de homelessness (população em situação de rua), com acampamentos improvisados em áreas urbanas que abrigam não apenas desempregados, mas também trabalhadores de baixa renda que não conseguem arcar com aluguéis abusivos.
Aposentadoria Indigna e Saúde Pagante: A falta de uma rede pública e universal de seguridade social obriga idosos e aposentados a continuarem trabalhando em subempregos ou a escolherem entre comprar medicamentos essenciais ou comida.
O Mito do "Sonho Americano": A narrativa do American Dream revela-se como uma construção ideológica. A mobilidade social nos EUA caiu drasticamente nas últimas décadas, demonstrando que a oportunidade de alcançar estabilidade e riqueza é um desejo global, mas cada vez mais distante da realidade cotidiana da maioria da população norte-americana.
3. A Inevitabilidade Histórica: O Ciclo dos Grandes Impérios
A degradação interna combinada com a hipertrofia militar externa é o fio condutor que marcou o declínio das maiores potências da humanidade. O Império Norte-Americano não está imune às leis da história.
Assim como seus predecessores, os EUA enfrentam o endividamento público recorde, a perda do monopólio industrial e a corrosão do tecido social interno, evidenciando a fragilidade da hegemonia unipolar.
4. A Nova Ordem Global: Os BRICS Plus e o Eixo do Futuro
A transição geopolítica do século XXI não é um mero exercício teórico, mas um reordenamento em curso. A ordem unipolar liderada por Washington e pelo Ocidente dá lugar a uma estrutura multipolar liderada pelo Sul Global e pelo Oriente.
| Dimensão | Ordem Unipolar Ocidental | Nova Ordem Multipolar (BRICS+) |
| Centro Econômico | EUA e Europa Ocidental | China, Índia e Parceiros BRICS+ |
| Sistema Financeiro | Hegemonia do Dólar e SWIFT | Desdollarização e Moedas Locais |
| Arquitetura Geopolítica | Imposições e Sanções Unilaterais | Cooperação Sul-Sul e Multilateralismo |
| Crescimento Industrial | Financeirização e Desindustrialização | Infraestrutura e Capacidade Produtiva |
A Força Econômica dos BRICS Plus: O grupo expandido representa a maior parcela da população mundial, do PIB global (em paridade de poder de compra) e da produção de commodities e energia do planeta.
O Papel Central da China: Com investimentos maciços em tecnologia, infraestrutura global (como a Iniciativa Belt and Road) e capacidade industrial, a China consolidou-se como o motor econômico global, oferecendo parcerias comerciais sem as exigências de austeridade impostas historicamente pelo FMI e pelo Banco Mundial.
A Construção da Multipolaridade: A busca por rotas de pagamento alternativas, o financiamento de obras pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e a cooperação soberana demonstram que o futuro do desenvolvimento econômico e geopolítico já não passa de forma exclusiva pelo controle de Washington.
Conclusão
As movimentações militares e sanções econômicas impostas pelos EUA contra nações como o Irã refletem as tentativas de um império em declínio para manter o controle sobre recursos estratégicos e fluxos financeiros. No entanto, o custo dessa postura belicista é pago no plano interno pela classe trabalhadora e pelos despossuídos norte-americanos, desfazendo a ilusão do "Sonho Americano". A história demonstra que a superação de impérios é inevitável; no século XXI, a ascensão dos BRICS Plus e a liderança do Eixo Oriental confirmam a transição para um mundo efetivamente multipolar. A Democracia deverá vencer aqui no Brasil e em países democráticos e em breve haverá novas potencias mundiais. Esperem para ver, mas com sabedoria e não com boçalidade.





